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Como planejar aulas acessíveis para todos?

ECOA

03/12/2019 04h00

No Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, 3 de dezembro, data promovida pela ONU desde 1992, trazemos um exemplo de como a formação continuada de professores é um caminho promissor para promover a inclusão na escola.

Estávamos começando mais uma edição de nosso curso sobre como professores podem criar materiais pedagógicos alternativos, que facilitem a aprendizagem de toda a turma. Participavam dessa formação, promovida pelo Instituto Rodrigo Mendes, equipes pedagógicas de dez escolas municipais da região de Itaquera, em São Paulo.

Representando a escola Francisco Alves Mendes, a educadora Juliana Forte enfrentava o desafio de garantir que todos os alunos de uma turma do quarto ano do Ensino Fundamental aprendessem o sistema solar. A turma era bastante heterogênea e tinha um aluno com deficiência intelectual e outro com transtorno do espectro do autismo. Ao longo do curso, que explora várias técnicas do universo maker, Juliana e sua equipe criaram uma espécie de maquete que facilita muito a compreensão da distribuição dos planetas, das distâncias entre si, das suas órbitas e dimensões. As educadoras foram capazes de produzir um material extremamente atraente, que complementa o livro didático convencional e que favorece muito a aprendizagem de cada estudante.

Materiais pedagógicos como esse tornam-se, ao final do cada ciclo, ferramenta para a escola toda. Já foram produzidos mais de cinquenta materiais, sobre várias áreas do conhecimento, que podem ser conhecidos na nossa plataforma sobre educação inclusiva.

Esse projeto foi inspirado no conceito de Desenho Universal para Aprendizagem (DUA), modelo que visa garantir o acesso aos conteúdos curriculares, sejam quais forem as habilidades motoras, intelectuais e sensoriais dos estudantes. Ele nasce no contexto da educação contemporânea em que as salas de aula, diferentemente do passado, são marcadas por uma diversidade humana cada vez mais intensa.

Traduzindo em miúdos, o DUA propõe que os educadores invistam tempo no planejamento das suas aulas e diversifiquem três fatores: o formato dos materiais didáticos, as estratégias pedagógicas e as relações entre o conteúdo e a vida real do aluno. Estamos falando de múltiplos métodos de apresentação dos conteúdos, de mediação da aprendizagem e de engajamento dos estudantes. Para isso, é fundamental a exploração das novas mídias digitais e, acima de tudo, do protagonismo dos professores.

A maquete sobre o sistema solar confeccionada pela Juliana e sua equipe, assim como os inúmeros materiais que estão sendo desenvolvidos por outros professores, são exemplos de como colocar em prática o Desenho Universal para Aprendizagem. Seus autores demonstram que é possível sermos mais inventivos na forma como planejamos nossas aulas e experimentamos novas ferramentas pedagógicas. Protagonismo e criatividade são ingredientes imprescindíveis para uma educação mais plural, que contemple as diferentes formas de aprender e que garanta o acesso de todos ao conhecimento.

Sobre o Autor

Rodrigo Hübner Mendes tem dedicado sua vida para garantir que toda pessoa com deficiência tenha acesso à educação de qualidade na escola comum. É mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP), membro do Young Global Leaders (Fórum Econômico Mundial) e Empreendedor Social Ashoka. Atualmente, dirige o Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos que desenvolve programas de pesquisa e formação continuada sobre educação inclusiva em diversos países.

Sobre o Blog

A garantia do direito à educação para todos é o ponto de partida para reflexões sobre equidade, diversidade humana e construção de uma sociedade inclusiva.

Rodrigo Hübner Mendes