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Somente uma chama nos Jogos olímpicos de 2020

ECOA

24/12/2019 04h00

Em 2013, o UNICEF me convidou para participar da criação de um projeto que aproveitasse o período da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil para estimular nossas escolas públicas a explorar a educação física de uma forma diferente. Não mais orientada pela competição e formação de atletas (objetivos tradicionais dessa disciplina), mas orientada pela participação e diversão de todos os estudantes. Como resultado, criamos um curso sobre educação física inclusiva que tem sido frequentado por milhares de professores de todo o país

O projeto, que cumpriu com a pretensão de ser um dos legados sociais desses eventos, acabou me aproximando bastante da Olimpíada no Rio. Tive a honra de conduzir a tocha durante o rodízio e, alguns meses depois, fui para o Japão a convite do Fórum Econômico Mundial para participar de um seminário. O objetivo era discutir como os próximos Jogos Olímpicos podem ampliar o seu impacto social. No final do debate, a mediadora me perguntou: "Rodrigo, o que você acha que Tóquio pode mudar nesse sentido?"

Resumindo minha resposta, eu acho que a separação completa dos jogos, entre Olímpicos e Paralímpicos, vai na contramão da ideia de uma sociedade inclusiva. Que mensagem transmitimos para o mundo segregando os atletas pelo fato de terem, ou não, uma deficiência? Além disso, o ato de apagar a pira Olímpica e, depois de algumas semanas, acender a pira Paralímpica, só reforça essa mensagem negativa.

Lembrando que os Jogos Olímpicos são o maior evento do mundo e que suas cerimônias são vitrines para bilhões de pessoas, minha proposta é que mantenhamos a chama acesa entre os dois jogos como um símbolo de união, de igualdade entre as pessoas. A proposta foi batizada de One Flame. Aproveitando que já estamos em ritmo de pensar em nossos desejos para 2020, por que não mentalizarmos uma única chama em Tóquio? Uma chama que jogue a favor de uma sociedade mais solidária, mais humana, mais sustentável.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o Autor

Rodrigo Hübner Mendes tem dedicado sua vida para garantir que toda pessoa com deficiência tenha acesso à educação de qualidade na escola comum. É mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP), membro do Young Global Leaders (Fórum Econômico Mundial) e Empreendedor Social Ashoka. Atualmente, dirige o Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos que desenvolve programas de pesquisa e formação continuada sobre educação inclusiva em diversos países.

Sobre o Blog

A garantia do direito à educação para todos é o ponto de partida para reflexões sobre equidade, diversidade humana e construção de uma sociedade inclusiva.

Rodrigo Hübner Mendes