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Coronavírus: Voltamos a falar de superação coletiva

ECOA

20/03/2020 04h00

O momento único que vivemos hoje me leva a resgatar o conceito de "superação coletiva" que já explorei por aqui, como uma forma de refletirmos sobre a construção de uma sociedade inclusiva. Creio que esse mesmo conceito sirva agora para esclarecermos a contribuição necessária de cada um para as próximas semanas.

Defendi a ideia de que a superação individual de alguém que tem impedimentos clínicos de longo prazo (físicos, intelectuais, sensoriais etc) é insuficiente para viabilizar um meio que iguale direitos. A transformação de que precisamos pressupõe a eliminação de um amplo conjunto de barreiras que estão presentes na arquitetura, nos meios de transporte, na comunicação, nos equipamentos e assim por diante.

Uma das principais barreiras está na nossa atitude. Na forma como julgamos e subestimamos o potencial de certas pessoas e, com isso, restringimos gravemente sua participação no trabalho, nas escolas e em todas as esferas sociais. Resumindo, a inclusão depende de uma superação coletiva, em que cada cidadão assume a responsabilidade de se observar, reconhecer preconceitos e mudar atitudes.

E o que essa barreira de atitude tem a ver com o momento atual? Em tempos de coronavírus, sabemos agora que não adianta isolarmos somente quem já foi diagnosticado. A mitigação exige um isolamento social coletivo. Em primeiro lugar, para evitar que novas pessoas sejam contaminadas. Em segundo, para evitar que quem está contaminado, e ainda não foi diagnosticado, seja vetor do efeito exponencial previsto. E o interessante é que isso envolve todos, independentemente de classe social, raça, gênero etc. Estamos todos no mesmo barco.

É tempo de mudança de postura, de atitude. Um dos povos mais ricos do mundo em 1940, o da Inglaterra, aprendeu com as adversidades da guerra a valorizar culturalmente os remendos nas mangas dos suéteres. Passou de emergência a padrão, de padrão a chique, signo de elegância.

Superação coletiva. Já fomos capazes de colocar isso em prática. Precisamos ser capazes de fazer isso de novo!

Sobre o Autor

Rodrigo Hübner Mendes tem dedicado sua vida para garantir que toda pessoa com deficiência tenha acesso à educação de qualidade na escola comum. É mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP), membro do Young Global Leaders (Fórum Econômico Mundial) e Empreendedor Social Ashoka. Atualmente, dirige o Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos que desenvolve programas de pesquisa e formação continuada sobre educação inclusiva em diversos países.

Sobre o Blog

A garantia do direito à educação para todos é o ponto de partida para reflexões sobre equidade, diversidade humana e construção de uma sociedade inclusiva.

Rodrigo Hübner Mendes